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Monday, September 21, 2009

+ cultura +indivíduo +sociedade


Alinhar ao centro

Há algum tempo vi um programa do Provedor para o Telespectador, em que se discutia os telejornais. As queixas eram várias, diversas, mas não foi isso que me chamou a atenção... A certa altura um sujeito disse que fazia falta cultura nos noticiários... E realmente assim é: sendo mais de metade dos telejornais dedicados à política e situação mundial, e até o desporto tem direito a maior espaço. Não digo que a cultura devia entrar mais nos noticiários, mas pelo menos nas televisões. Olhemos para a TVI: os únicos períodos onde podemos cheirar alguma cultura é no fim das novelas, e nos filmes de fim-de-semana. Já a RTP2 é um peso pesado da cultura... Só que escusado será dizer que num só canal haja espaço suficiente para cultura diversa. Reparem que falo apenas da televisão pública, porque é aquela a que toda a gente tem acesso facilitado.

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Numa aula recente de português, lemos um texto que falava da importância dos artistas em ambientes de crise económica, social, e política sobretudo. Eles referiam-se às grandes revoluções como ambientes em que o ser artístico era fundamental, para abrir os olhos às populações e abrir as estradas levantando a voz. Porque todas elas começaram com artistas, pensadores. Os artistas para além de terem um grande papel na visão do mundo, tem também um papel fundamental de divulgação do mundo tal como é. Os artistas (entendo como artistas pessoas que fazem arte ou que falem sobre arte, não são artistas mas entram neste grupo) são os olhos, ouvidos e boca do povo.

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Hoje em dia "ninguém" liga à cultura (entenda-se ninguém pela maioria da sociedade), ninguém liga à política. Maior parte das pessoas acha os artistas uns bandidos que não fazem nenhum, e acham a cultura um desperdício de dinheiro. Depois de tanto que a cultura fez pelo Homem, isto é um pouco irónico: o Homem usa a cultura, mas não deixa que ela o use a ele. Acho que neste momento vivemos numa sociedade de uma forma geral pobre de espírito e de valores. Muita gente compra muito, compra tudo. Qualquer coisa é mais importante do que ver os problemas de muitos, e tentar ver como a sociedade está. O alheamento das pessoas da cultura resulta numa falta de consciência social e naturalmente política. As pessoas não entendem quando a torneirinha que jorra liberdade começa a fechar, até cair gota a gota... Sei que as pessoas já foram mais alheadas à cultura, mas ainda assim devia haver uma evolução, que não há. Tenho particular pena da minha geração, que ou ainda está demasiado verdinha, ou é parcialmente desprovida de interesse no mundo.

Eu acredito que quanto mais (e melhor) cultura, mais evoluído será o indivíduo e quem beneficía é a sociedade. Não creio que seja assim tão difícil... Mas os governantes têm coisas mais importantes em que pensar.

Tuesday, July 21, 2009

Divagações sobre a Igreja, Religiões e os Jovens

Hoje, enquanto passeava pelas ruas de Viana, vi um cartaz de uma igreja, que pretendia chamar a atenção de jovens. Era qualquer coisa do género:

"Esta é a casa do senhor por isso desliga o telemóvel.
Podes ligar-lhe que ele atenderá sempre."


Ou seja, pretendia desta forma, falar na linguagem dos jovens, tentava desta forma chegar a um mundo que cada vez mais se afasta da Igreja. Sou sincero, fora aqueles jovens completamente deprimidos com pouca capacidade intelectual, duvido que esse cartaz traga mais gente para a Igreja.




O problema é que depois de uma geração que conheceu um novo mundo de informação e conhecimento, escondido pelas mãos de uma Igreja conservadora, era de estranhar se esta educasse as gerações seguintes para que fossem fiéis seguidoras dessa mesma Igreja, com quem pouco queriam. Não direi que queriam que os seus filhos e netos se afastassem dessa crença, mas o facto é que um olhar pouco crente dos pais pode resultar num afastamento maior do que era pretendido.

Eu creio que isto se deve porque, muito antes das pessoas se afastarem da Igreja, a Igreja começou a se afastar de Deus. Muito pouco era aquilo que a Igreja defende que já Jesus Cristo defendia. Como tal, é normal que as pessoas se afastem da Igreja, e é natural que esse divórcio seja progressivo, sendo por isso normal que cada vez menos jovens se mantenham fiéis aos ideais do Vaticano. Eu próprio sou ainda bastante jovem, e não acredito numa palavra da Igreja. Não quer isto dizer que não acredite num Deus. Acredito, mas não acredito que haja um Deus para um povo, para uma raça ou para um reino biótico. Acredito que há um Deus comum a todos os seres, que pode ou não ser racional. Eu acredito nisto, mas não conheço muitos mais que acreditem em algo com tanta convicção.


Quando ouço alguém discutir sobre Religião reparo que os assuntos tratados são, na maior parte das vezes, a Igreja Católica e outras Igrejas, ou seja, focando-se apenas sobre Religiões escritas e estipuladas por homens. Questiono-me apenas sobre, quem melhor do que eu próprio para saber em que acredito? Ninguém, por isso, não faz sentido que eu me limite ao que alguns homens disseram, e tente compreender o mundo através dessas palavras. O facto é que por vezes sinto-me algo sozinho! Por mais ninguém no meu círculo acreditar num Deus Universal, mas sim num Deus que só é Deus de quem acredita numa ideologia estipulada por alguém.

Peço desculpa se firo as susceptibilidades de alguém, mas o facto é que eu não acredito em Religiões feitas por linhas rígidas e rectas. Talvez se os jovens compreendessem isto, talvez deixassem de considerar a Religião algo banal. Talvez se deixassem de associar Deus a velhotas com medo que o céu lhes caia em cima, começassem a perceber o que a Religião (ou as crenças de alguém sobre tudo o que está à nossa volta) é.


Ps:. Entenda-se que falo do Estereotipo de jovem, ou seja, esse jovem que não liga à Igreja nem à Política. Com certeza haverá muitos e muitos jovens que, tal como eu, se importem com o que nos rodeia!



Wednesday, July 15, 2009

O Valor da Opinião



Desde que o Homem começou a pensar e a sentir, começou a ter os seus gostos, e a criar as suas próprias opiniões. Com o tempo foi desenvolvendo e fundamentando as suas opiniões fundamentando-as, e aprofundando, reflectindo sobre questões que ainda hoje não têm uma resposta absoluta.

A opinião é algo respeitável: uma posição que um ser assume como sendo sua, independentemente de opiniões de terceiros. A opinião demonstra a existência de um ser reflectivo por trás do conjunto de tecidos a que se chama Homem. Qualquer ser humano tem direito a ter a sua, seja ela qual for, por mais bárbara ou retrógrada que seja. É claro que sujeitam-se a uma contra-opinião, porque qualquer outro ser humano, ou ele mesmo, pode desenvolver uma opinião sobre a sua opinião.

A Opinião é uma posição defendida por alguém. Diferentes motivos podem levar à expressão de uma opinião, entre eles se contam, a necessidade de expressão, a tentativa de integração na sociedade exercendo um direito cívico, a tentativa de mudar mentalidades, e/ou comportamentos, ou promover/despromover algo. Obviamente muitos outros motivos poderão estar por trás da expressão da opinião de alguém, mas estes foram aqueles de que me lembrei.

No meu caso em particular, gosto de expressar as minhas opiniões pelo prazer que me dá escrever/falar e dar a conhecer os meus pontos de vista. Por vezes gosto de tentar pôr outras pessoas a pensar como eu, mas de uma forma geral, só gosto de dar a conhecer as minhas opiniões. Elas não são melhores do que as de ninguém. São confusas e por vezes incoerentes entre si. O que não lhes tira valor nem validade teórica, podendo isso sim, perder validade prática. Isso não me interessa! O que me interessa é ver o discorrer das palavras que de mim sai, formando claras correntes de pensamento, cuja finalidade e em conjunto são confusas, mas que permitem a qualquer outra pessoa seguir os passos do meu raciocínio, chegando a uma opinião, igual, semelhante ou diferente da minha.

Por isso peço desculpa, se alguma vez uma opinião minha magoar alguém. Não é a minha intenção. Nem isso, nem colocar uma opinião clara em cima da mesa. Apenas marcar posição e deixar as palavras. As pessoas que construam a sua mesma.

Intelectuais, não intelectuais e falsos intelectuais - uma questão de atitude

Note-se que este artigo é meramente de opinião, e por maior que forem as barbaridades que estão escritas não construa uma má opinião de mim. Para construir algum tipo de opinião sobre mim, agradecia que lesse o artigo todo, isto, se for capaz (xD)!!! - (tinha de utilizar um smile! peço desculpa pelo incómodo)

Eu quando falo com alguém, discutindo opiniões, tenho tendência de avaliar essa pessoa. Muitas vezes, não consigo, pois não percebo a forma como ela pensa, ou porque tem uma grande diversidade de reacções e opiniões, o que de certa forma me inibe de a classificar como intelectual, não intelectual ou falsa intelectual. Escusado será dizer que a pessoa com quem mais faço isto é comigo mesmo.



Eu sei que não se deve classificar nada nem ninguém, mas é algo que eu não controlo! Não tenho nenhuma listinha nem nada disso, mas tento ao máximo tentar compreender até que ponto uma pessoa sabe o que diz. Porque o facto é que eu sinto-me influenciado por aquilo que uma pessoa sabe, mostra saber ou que eu penso que sabe.

.Normalmente considero alguém intelectual quando tem uma grande cultura e uma enorme inteligência para a entender sem ser influenciado por preconceitos em relação a ela. Normalmente aceito, ou pelo menos entendo a validade das suas opiniões.

.Alguém não intelectual, para mim, é alguém que não tem nem quer ter uma grande cultura. As pessoas que eu costumo por neste saco costumam ser modestas e ter um bom coração. Normalmente aceitam as opiniões de pessoas com maior experiência ou conhecimento que estas.

.E o que é, para mim, um falso intelectual? É alguém que quer ser intelectual e que se tenta mostrar como tal. Normalmente costumam usar muitas frases feitas, têm como referências nomes mais famosos do público em geral, ou de um público mais alternativo.




Como podem ter entendido, para mim, a intelectualidade é uma questão de atitude perante os conhecimentos ou gostos que se têm. Devo dizer que para mim esta regra aplica-se em todas as áreas, desde a literatura à vida em geral!

E como me considero eu, a mim próprio? É curioso, porque sobre aquele que na teoria eu conheço melhor, ou seja, eu próprio, não consigo classificar de uma forma clara. Eu tenho imensas opiniões válidas, sobre as mais diversas coisas, e apesar de para mim estarem correctas, aceito que digam que o não estão; por vezes sinto-me influenciado por pessoas mais velhas e, aparentemente, mais cultas; e por muitas vezes tento mostrar-me culto e intelectual,por vezes sou algo radical na aceitação de outras opiniões e tenho uma necessidade interior que nem sempre revelo de classificar as pessoas!

Por isso as minhas opiniões sobre mim próprio variam tanto, entre o culto, o inculto e o que pensa que é culto. Por isso mesmo é errado criar estas divisões: é impossível classificar alguém como sendo algo. Podem ser mais ou menos cultos, e em diferentes momentos podem ser claramente uma coisa ou outra, mas enquanto pessoas são simplesmente pessoas, e mais não podemos dizer!